quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ator, Ídolo, Hypocrites: José Mayer e uma reflexão sobre hipocrisia

     Estes dias o ator José Mayer, galã da principal emissora de TV do país se viu às voltas com um escândalo que pode significar o fim de sua brilhante carreira. O ator sexagenário, mas bonitão,  que faz o sexo feminino delirar com seu charme, mostrou o outro lado de si, que as câmeras não focam, ou melhor o verdadeiro lado de si: Assediou de forma grosseira uma figurinista da empresa. Em tempos de redes sociais casos como esse não passam mais em branco.
     A mulher assediada botou a boca no mundo, o caso ganhou notoriedade, e a própria emissora teve que noticiar o caso de um dos seus mais caros galãs. Tornou-se o assunto da semana na mídia nacional.

     A revista VEJA esclarece que “Em uma primeira e desastrada declaração, José Mayer disse que as atitudes denunciadas eram próprias do machismo e da misoginia do personagem Tião Bezerra, não minhas!” (VEJA, 12/04/2017, pág. 76)    
     Ninguém engoliu a explicação, mas a saída encontrada pelo ator também precisa ser analisada.
     Sendo um ator de grande projeção José Mayer tornou-se o ídolo de muita gente. Idealizações e fantasias rondam o imaginário daqueles e daquelas que o põem num pedestal. Trata-se de um ator. A arte da representação nos veio da Grécia. O antigo teatro grego tinha seus atores, que usavam máscaras.  O ator era o hypocrites, o respondedor.
    É da realidade da representação do papel que não corresponde a si mesmo, do fingimento, que hypocrites se torna uma palavra pejorativa, com significado desagradável. E essa palavra é conhecida por nós no texto bíblico, mas também de uma forma ampla, transliterada para o português hipócrita: fingido, falso, dissimulado!

    Esta palavra é encontrada várias vezes nos Evangelhos na boca de Jesus: Hipócritas!!! Os religiosos da época eram rotulados por Cristo como hipócritas.
    Mas o caso José Mayer indica-nos claramente que hipocrisia não é um adjetivo restrito aos religiosos fingidos de ontem e de hoje. Ao desempenhar seu papel como hypocrites, como ator, segundo ele, o fingimento sai das telas e invade o seu verdadeiro ser. Então quanto ele assedia a moça, não é o cidadão José Mayer, é o hypocrites, é o ator na pele do personagem-cafajeste Tião Bezerra!
    Quando terminava a peça no antigo teatro grego, que os hypocrites tiravam suas máscaras, se reconhecia exatamente quem era o homem por trás da máscara!
    Parece-nos que caiu a máscara de José Mayer, literalmente foi desmascarado, e por trás do hypocrites/ator galã nos demos conta que está um homem equivocado, sem o devido respeito pelo próximo, que explica suas ações como “fruto de sua geração” (VEJA, 12/04/2017, pág. 78).
     Para quem endeusou o ator, e fez dele seu ídolo, é triste admitir que era apenas um hipócrita!
      Mas não fique triste. O maior drama que aconteceu na história não foi na Grécia. Aconteceu no Monte Calvário, em Jerusalém. Jesus Cristo, o filho de Deus foi crucificado  entre dois malfeitores. Mas o drama do Calvário não envolvida máscaras, nem hypocrites. Jesus vergonhosamente despido levava sobre si nossos pecados.

    Em tempos de hipocrisia, a voz de Cristo ressoa num Brasil cansado de tanto fingimento: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim.” Ele precisa estar no lugar onde colocamos nossos ídolos hipócritas!

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