domingo, 20 de maio de 2012

Uma comparação desigual: "Porventura não são Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel?" Parte 2

   Pensar que em Damasco, os rios Abana e Farpar corriam límpidos e brilhantes, semeando fertilidade por onde passavam e embelezando a paisagem, e a ordem do profeta era mergulhar sete vezes no Jordão...
    A comparação foi inevitável: “Não são porventura Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel?”.
    Como mergulhar naquelas águas barrentas quando os cursos dágua da Síria eram muito mais límpidos e translúcidos?
    A objeção do general Naamã é perfeita: Inegavelmente os rios de Damasco eram superiores ao Jordão, em beleza, em qualidade da água, em limpeza aparente... Mas o milagre não estava lá, estava nas águas barrentas do Jordão.
    Alguém, de repente, resolve lembrar ao general que seu objetivo ali não era tomar um banho no Jordão para refrescar-se, se assim o fosse, melhor seria fazê-lo em Damasco. Ele estava ali não como o general, ele estava ali como o leproso precisando de tratamento, de cura.
    Todos nós somos encaminhados para o Jordão, para lá sermos tratados. A Igreja, a comunidade de cristãos a qual pertencemos não se parece com Abana e Farpar, assemelha-se ao Rio Jordão.
    Inevitavelmente acontecem comparações: A comunidade científica a qual pertenço é mais culta, mais esclarecida... minha equipe de trabalho é mais coesa, mais entrosada, mais comprometida... meus amigos de discussão artística são mais sensíveis, mais abertos ao belo, mais criativos... meu grupo de aventuras e de caminhada e trilhas é mais ousado, mais disposto a correr riscos... meu grupo de discussão filosófica é mais racional, mais rigoroso... meus colegas de faculdade são mais despojados, mais abertos às novidades...
    Ninguém em sã consciência diria que Naamã estava errado. Sua objeção tinha rigor lógico, era óbvio, incontestável. Os rios Abana e Farpar eram melhores que as águas barrentas do Jordão.
  Os grupos que frequentamos, conhecemos, interagimos podem sim, ser equiparados ao Abana e Farpar... podem ser em qualidade, melhores do que o nosso Jordão!
   A Igreja não é uma sociedade filosófica, ou científica, ou de esportes de aventura, ou de conhecimento... Igreja é um lugar para onde são encaminhados os leprosos, os doentes, os sujos, os carentes de tratamento. Não é um lugar de encontro de generais, ou de grandes expoentes da sociedade. É um lugar onde os generais são simplesmente leprosos, os professores transformam-se em pessoas carentes de conhecimento, os médicos viram enfermos em convalescença... todos com suas sujeiras, suas mazelas... por isso as águas do Jordão são tão barrentas... é a sujeira de cada um...
    ... e quem de nós não temos as nossas sujeiras? Como ter nojo de mergulhar num lugar onde as sujeiras estão em efervescência saindo da pele das pessoas, se a água está suja também por nosso mal, o sujo que existia em nós?
    O Abana e Farpar são mais limpos, mais aprazíveis, mas neles os leprosos continuam leprosos. É no Jordão onde a limpeza acontece.
    Mas como chegar ao Jordão? É preciso descer... (II Rs 5.14). Samaria ficava  situada a meio caminho do Jordão ao Grande Mar, ao oriente da planície de Sarom, no alto de um monte oblongo, a mais de 100 metros acima do nível do mar. Para chegar ao Jordão era necessário enfrentar um desnível de mais de 300 metros, afinal, na linha de Samaria o rio corria em seu vale a mais de 200 metros abaixo do nível do mar.
    A descida para o Jordão também tinha um significado... durante a descida Naamã vai se despindo de sua autoimagem orgulhosa de General vencedor, para assumir a de um leproso carente. É assim também conosco, descemos de nossas posições sociais e nos vemos apenas como pecadores perdidos necessitando da salvação de Deus. Corremos para mergulhar no Jordão, onde está a limpeza, a cura, a pureza milagrosa da justiça de Cristo.
    Não foi à toda que séculos depois, João Batista encontrou-se no mesmo Jordão batizando as pessoas que se arrependiam de seus pecados. Outro tipo de lepra, mas sempre a enfermidade que precisa de cura... Estavam chegando saduceus e fariseus (Mt 3.7) e vinham, como o general Naamã confiantes pelo lugar que ocupavam na sociedade, esquecidos de sua lepra... Novamente alguém tem que lhes lembrar que eles não estão ali como figuras de destaque... São raça de víboras fugindo da ira vindoura, desafiados a produzir frutos dignos de arrependimento (Mt 3.7-8)...
    Embora outros rios pudessem ser melhores, é no Jordão que as pessoas são batizadas, confessam seus pecados e saem purificadas para uma nova vida (Mt 3.6).
    Deixemos que o general Naamã, os saduceus e os fariseus usufruam das belezas do Abana e Farpar... mas nós, leprosos e raça de víboras em fuga da ira vindoura, desçamos e mergulhemos em humildade no Jordão e alcancemos a salvação de Deus.
   E neste Jordão sejamos todos trabalhados pelo Senhor em nossas mazelas, em nossas fraquezas, em nosso pecado, em nossa maldade!

Uma comparação desigual: “Porventura, não são Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel?” Parte 1

     É conhecida a história do general sírio Naamã, que vai à Samaria, capital do reino de Israel, em busca de cura para a sua lepra. A pequena escrava israelita lhe trouxera um raio de esperança quando avisou a sua esposa que em Israel havia um profeta que poderia restaurar sua saúde (II Rs 5.1-3).

    Agora ele chegara de Damasco em Samaria, com a carta do seu Rei, Ben-Hadad (Filho de Hadad), direcionada para o Rei de Israel, bem como  muitos presentes e riquezas,  inexplicavelmente o rei israelita leu com terror a carta do monarca sírio, e rasgou seus vestidos. Estranhos estes hebreus, não?                                    
   Ora, o Rei sírio, Ben-Hadad, isto é, Filho de Hadad, o deus sírio das tempestades (chamado pelos hebreus de Rimmon, II Rs 5.18), cujo templo estavam em Damasco, através daquela carta fazia um pedido ao rei de Israel, filho de Yahweh. Ambos os reis fariam uma ponte entre seus respectivos deuses em prol da cura do general sírio. Nada mais comum, se existia algo que poderia ser feito pela divindade, naturalmente o rei, filho do deus iria fazê-lo!

    De repente o rei israelita transtornado fica aliviado ao receber uma notícia, e o general sírio é encaminhado à casa de um profeta.

    Naamã conhecia profetas, era uma atividade comum no mundo da época. Mas os profetas sírios buscavam descobrir o futuro para orientar os reis sobre guerras, alianças, decisões a serem tomadas... Em que um profeta israelita poderia ajudá-lo?

   Ele imaginou então que o profeta iria sair à porta para recebê-lo, na qualidade de um alto emissário do reino sírio, se colocaria de pé, e invocaria o nome do Senhor seu Deus, passaria a mão sobre a sua pele e restauraria a sua lepra (II Rs 5.11).

   Qual não foi sua surpresa quando foi recebido à porta por um servo, um mensageiro, que lhe disse sem rodeios: “Vai e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne te tornará e ficarás purificado.” (II Rs 5.10)   

 

   Nenhuma honra, nenhuma deferência, nenhuma referência à sua importância, seu cargo... sua eminência. Uma verdadeira humilhação, pouco caso... um absurdo total e pleno.
   Possesso de raiva Naamã esqueceu qual tinha sido o objetivo daquela viagem. Ele não estava ali como comandante do exército sírio para vencer mais uma batalha contra os israelitas. Nem como representante do alto escalão do Governo de Damasco. Ele estava ali como um leproso em busca de cura, um condenado em busca de salvação...
   Mas seu orgulho escondia dele toda essa realidade. Então ele toma consciência de que a ordem é para lavar-se no Rio Jordão! O Rio Jordão... não pode ser, lavar-se sete vezes no Rio Jordão! É demais para o entendimento de um homem!
    
    Claro que o General conhecia o Jordão. Era um curso dágua que se originava do degelo do Monte Hermon, nos recantos fronteiriços do seu país, a Síria, com o Líbano. O nome Jordão significa aquele que desce. E aquele rio não fazia outra coisa a não ser descer. Na fronteira com a Síria, o Jordão atravessa o lago de Hule. Um pouco abaixo do lago de Hule era necessário cruzar o Jordão para penetrar em território sírio. Mais ao sul estava o lago de Genezaré, que já está a 210 metros abaixo do nível marítimo, e 110 km abaixo, estava a foz do Jordão, a 390 metros abaixo do nível do Grande Mar, no Mar Salgado.
    Além de configurar uma forte descida, o Jordão era também um rio de muitos meandros, muita sinuosidade, muitas curvas... a conjunção destas duas características fazia do Jordão uma turbulenta corrente barrenta.
   

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Confissões (Parte 1)

    Ando ausente de postagens por tantos afazeres. Mas acho que em datas marcantes, preciso deixar algum registro. Daqui a algumas horas estarei completando mais um ano de vida... Quarenta anos, para ser mais exato.  Este final de semana estive com meus familiares no casamento do meu primo Ivson Erick, lá no sertão do meu Pernambuco. Minha mãe me abraçou e disse surpresa: Já tenho um filho com 40 anos! É isso aí, mainha... já se vão 39 anos dessa época aí, lembra?
    
     Navegando na internet, descobri surpreso que posso ser classificado como um ex-favelado (ou quem sabe um ex-futuro-favelado).  No site da CUFA,  Central  Única de Favelas, constatei  a existência da Favela do Córrego da Jaqueira, na Linha do Tiro. Nós residimos lá, boa parte da nossa infância, no número 241.
     A qualificação geográfica correspondia à realidade: Córrego. Recorro ao dicionário que esclarece: rego por onde corre água, caminho apertado entre montes...  A periferia do Recife tem muitos córregos, eu me lembro do Córrego do Ouro, Córrego do Botijão...  lá no bairro ainda tínhamos o Córrego das Negras, Córrego Central, Córrego do Curió, Córrego do Tiro... As montanhas invadidas de forma desordenada e urbanizadas à força, tornaram-se Altos.  Entre os Altos ficavam os Córregos.  Nós morávamos embaixo, no Córrego. Atrás de casa uma barreira demarcava as encostas do Alto dos Coqueiros. No final da rua, uma ladeira bastante íngreme (à época não pavimentada)  era o caminho que nos levava à casa dos nossos avós, no Alto do Deodato.
     No “pé da ladeira” existia um chafariz. Naquela época não tinha água encanada para todos. Então se ia buscar água no chafariz público. Nosso chafariz era funcional, não tinha nenhuma arte barroca ou moderna que o adornasse.  Guardávamos água num tonel (para higiene de forma geral) ,e  numa jarra (para consumo). Meu pai foi um dos que batalharam para que fosse instalada a água encanada nas casas de nossa rua.
     Era uma vida difícil, apertada... me lembro quando chovia. Descia água, muita água de todas as encostas e o nosso Córrego transformava-se em rio.  Só saíamos de casa quando a água escoava e recebíamos o nosso córrego de volta.
   Aos três anos fui para a Escola da Tia Lu. Até um dia desses minha mãe ainda guardava os meus cadernos... “a” uma bolinha e uma perninha. No dia em que o filho de Tia Lu, Flávio, teve sarampo, dizem que eu cheguei em casa contando que “ele estava com uma febre... e com a cara cheia de mofo”.
    Se eu fechar os olhos me lembro de todo mundo. Dos ricos da rua, aqueles que tinham carro e alguns muito poucos que tinham linha telefônica, própria ou alugada. Dos meninos da rua... que passavam o dia vagabundando e jogando bola. Dos jogos de bola de gude, das brincadeiras inocentes de “fruta”, “Boca de Forno”... e outras que tomavam lugar na calçada de casa quando anoitecia.  Da vizinha que morava na barreira na rua de trás de nossa casa e tinha 10 filhos. De tio João Batista e Vina, sua mulher. Das músicas de Amado Batista que enchiam o Córrego nos dias de domingo. Do pessoal que frequentava os hospitais psiquiátricos. Daqueles que foram assassinados por envolvimento com droga, roubo...
    Saímos por um tempo de nossa casa, que foi alugada e fomos morar de aluguel, um tempo em Abreu e Lima, e depois em Ouro Preto, Olinda. Nesse período morávamos todos juntos, meus pais, tios e avós. 
   
     Em 1978, obtive uma vaga no Colégio da Polícia Militar de Pernambuco, pouco tempo depois meu irmão também ingressou no Colégio.
   Voltamos para nossa velha casa, agora só nós, desta feita com um irmão mais novo.  Éramos cinco. Nossa casa era de taipa. As portas e janelas eram frágeis, e mais de uma vez fomos roubados à noite, por ladrões que destelhavam a casa ou conseguiam entrar forçando as janelas.
   Meu pai resolveu então construir nossa casa de alvenaria, ainda que para isso tivesse que se endividar muito. Ao longo de dez anos nossa casa foi lentamente... muito lentamente tomando forma. Servi de ajudante de pedreiro, muitas vezes. Peneirava a areia, carregava tijolo.
   Não tínhamos televisão, nem recursos para viajar e conhecer muitos lugares novos. Então eu descobri que se abrisse um livro eu podia viajar, conhecer, explorar... Fui me tornando aos poucos um leitor compulsivo, apaixonado. Este hábito se refletia nos destaques que fui acumulando ao longo dos anos no Colégio, e eu comecei a marcar época entre os meus colegas e professores.
    Nesse tempo aconteceu uma coisa curiosa: O BANDEPE - Banco do Estado de Pernambuco resolveu promover uma semana de aprendizado do mundo bancário, abrindo uma mini-agência no Colégio. Por dois anos seguidos eu fui escolhido para integrar a direção da mini-agência: no primeiro ano como Gerente, e no segundo como Coordenador.  Estas fotos são com a jornalista Lola e o Comandante do Colégio Coronel Ferraz, e a pose de gerente é com o Presidente do Bandepe. 

    No casamento de Ivson pude constatar o que é a passagem do tempo. As marcas do tempo em toda a parte... nas rugas de cada rosto, na flacidez da pele outrora firme, nos cabelos brancos que sobressaem quando não encobertos pela tinta escurecedora, no sobressalto ao se constatar que as crianças transformaram-se em moças e rapazes... na ausência dos avós que nos deixaram para estarem juntos no descanso eterno.  Houve um tempo em que eu coloquei o noivo nos braços e passeei com ele no Zoológico de Recife. Ele era um garotinho lourinho, e eu um jovem cheio de sonhos...
  

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sobre subir em árvores, pobreza e choro

    Estou tendo a alegria de participar do 8º Congresso de Teologia Vida Nova. Estive ausente em algumas edições do evento, e senti imensamente. É importante para mim esse tempo...
    Sinto necessidade de, em algum momento, parar de correr na floresta, subir numa árvore e contemplar a imensidão lá de cima... Refletir sobre os caminhos percorridos, visualizar lá de cima os obstáculos que eu hei de enfrentar quando descer da árvore... enxergar que tipo de trilha estou conseguindo abrir no meio da floresta. Será um caminho tortuoso?  Às vezes o caminhante só se preocupa em abrir a trilha, não importa se ela seja tortuosa, cheia de equívocos... subir na árvore ajuda a corrigir algumas coisas. O Congresso é a árvore na qual me proponho a subir de tempos em tempos.
     Dr. Shedd tem ministrado as reflexões nos devocionais, pela manhã e à noite. Aos oitenta e dois anos, o velho missionário, fundador das Edições Vida Nova (que ora comemora seus 50 anos de existência), com sua sabedoria e calma característicos tem trazido aos corações dos congressistas mensagens do coração de Deus.
    O desafio da santidade, a partir das bem-aventuranças tem sido o tema das mensagens. O sermão do monte (Mateus 5) é vivificado e nos incomoda e constrange, em pleno século XXI  (Estive ano passado na Galiléia, e lá de cima do provável monte das bem-aventuradas, contemplei o Lago de Tiberíades, e as praias tão familiares ao Mestre). Alguns detalhes trazidos pela sensibilidade pastoral do Dr. Shedd são tão fortes que não permitem a ninguém ficar alheio à Palavra do Senhor.
   Bem-aventurados os pobres de espírito (Mt 5.3)...  pobre de espírito é alguém capaz de aceitar a avaliação que Deus faz de nós. E qual a avaliação que Deus faz de nós?
    Ele não precisa de nós, ele não depende de nós. Nós não somos indispensáveis para ele. Ele se utiliza de nós por sua misericórdia, ele nos escolhe por sua graça, ele nos alcança por seu amor. Nossa  justiça não passa de trapo de imundícia.  Nós é que necessitamos dele, carecemos dele. Em toda a nossa “importância”, nosso “saber”, nossa “espiritualidade”... somos nada, nossa sabedoria é loucura para Deus. Nosso saber é apenas aflição de espírito. Quando aceitamos essa avaliação feita pelo Senhor de nós mesmos... somos pobres de espírito. Carentes... necessitados...
    Bem-aventurados os que choram (Mt 5.4)...  não é o choro por uma dor, não é o choro de raiva, de indignação, é outro choro. É o choro do pesar pelo pecado, é o choro do coração contrito. São as lágrimas que devem ter escorrido das faces de Davi enquanto escrevia o Salmo 51, e registrava:  ó Deus, tu não desprezarás o coração quebrantado e arrependido” (v. 17).
    É a tristeza decorrente da ação do Espírito Santo, que ao convencer-nos do pecado, nos entristece. Nos entristece por termos transgredido, por termos entristecido nosso Senhor, amigo, Salvador, Pai...  É sobre isso que Paulo fala em II Co 5: “pois a tristeza segundo a vontade de Deus produz o arrependimento que conduz à salvação (v.8-11)”. É a contrição, o quebrantamento... quantos de nós não sabemos mais o que significa o quebrantamento? Talvez hoje outra coisa tenha tomado o lugar da contrição, do pesar, do choro, das lágrimas, da tristeza segundo a vontade de Deus...
      Não estaria a arrogância tomando o lugar do quebrantamento? A arrogância de um Saul, que encontra sempre uma desculpa para o pecado...  É muito mais fácil sermos arrogantes do que contritos...
     Mas nestes dias... em que homens são amantes de si mesmos, gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos... (II Tm 3.1-6) A voz do Senhor ecoa novamente, e lá de cima do monte nas longínquas terras da Galiléia nos diz: Bem-aventurados os que choram porque eles serão consolados!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A verdadeira prosperidade

                                          
“...para que o coração deles seja animado, estando vós unidos em amor e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus, Cristo, em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. (Cl 2.2-3)”
   Quando alguém fala “o verdadeiro” alguma coisa, todo mundo se interessa para saber o que há de novo. O que há de novo na verdadeira prosperidade?
   É interessante como os significados e conceitos mudam ao longo do tempo. O conceito de prosperidade, por exemplo, tem sofrido grandes alterações ao longo da história. Para a sociedade capitalista do século XXI a idéia de um homem próspero é absolutamente diferente de um homem próspero da antiguidade. A sociedade muda e com ela mudam os conceitos, os valores.
    Numa rápida caminhada pela história bíblica poderemos iniciar com um homem próspero chamado Jó:  Era próspero pois tinha muito gado, estamos falando de uma época em que a riqueza vinha da pecuária, foi assim o período patriarcal no qual viveram Abraão, Isaque e Jacó, na maior parte das vezes não tinham terras fixas, eram nômades.. .
 
    Tempos depois, encontraremos um outro homem próspero, chamado Nabal, cuja descrição encontramo-la em I Sm 25.2. Este já não era nômade, ele tinha terras, fazendas, propriedades num local específico, o Carmelo, embora possuísse muito gado. O homem próspero já não é mais nômade, torna-se sedentário, tem terras, que também servirão para a agricultura.
   No livro de Ester vamos encontrar Hamã um político persa muito influente, se vangloriando de sua prosperidade, refletida nos seus muitos filhos, em sua riqueza e no seu status (5.11).

    Diferente dos persas, os gregos não habitavam um país com grandes extensões de terras. Além de serem poucas as terras gregas também eram muito montanhosas. Aos poucos os gregos desenvolveram uma nova noção diferente de prosperidade. Uma prosperidade sem muito gado, sem tantas terras...
    Na Grécia um cidadão próspero era um homem dotado de conhecimento, com trânsito nas artes e nas letras. Os homens de destaque da Grécia não eram homens de muitas posses materiais, Sócrates, Platão, Aristóteles, Arquimedes... foram homens do conhecimento. Foram gregos prósperos em sua sabedoria!

    Paulo evidenciou claramente isto quando escreveu em sua primeira carta aos irmãos de Corinto (uma cidade grega): “Os gregos buscam sabedoria” (I Co 1.22).  A sabedoria grega era um distintivo para a prosperidade dos homens, e marcou profundamente a história da humanidade e muito do que somos na civilização ocidental herdamos dos gregos.
    Quando o apóstolo Paulo dirigia-se aos gregos falando-lhes de Cristo, ele tinha plena consciência de que a mensagem da cruz lhes parecia absurda, loucura. Para tais cidadãos que prezavam o conhecimento e a razão acima de tudo, a idéia de um enviado divino que é crucificado para tirar o pecado dos homens lhes parecia por demais absurda. Homens prósperos em seu saber, em sua cultura, em sua arte... não abriam facilmente o seu coração à vontade do Deus das coisas impossíveis. Quando Paulo em Atenas falou aos filósofos do areópago acerca da ressurreição, eles imediatamente negaram-se a continuar escutando (At 17.32). Em sua prosperidade se achavam auto-suficientes. Em seus corações ricos de conhecimento não havia lugar para o homem da Galiléia que andou com o povo simples às margens do Lago de Tiberíades.
    Apesar de tudo, muitos gregos, não obstante sua prosperidade cultural, foram humildes o suficiente para “negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir Jesus”. Em Colossos, uma pequena cidade grega, na província romana da Ásia, um grupo de crentes se debatia com alguns que gostariam de fazer da fé, mera filosofia, e viviam às voltas com especulações de caráter religioso (conforme Colossenses 2.8).   
    O apóstolo Paulo então escreve a estes irmãos, para esclarecer-lhes acerca da verdadeira prosperidade. A verdadeira prosperidade não está nas ovelhas, camelos, juntas de bois e jumentas de Jó. A verdadeira prosperidade não está nas terras de Nabal no Carmelo, nem nos rebanhos de cabras e ovelhas que ele lá criava. A verdadeira prosperidade não está na grande descendência de Hamã, nem nas suas riquezas, nem em seu status de homem de confiança do Rei da Pérsia.
    A verdadeira prosperidade não está no muito conhecimento de filosofia, nem nas artes gregas, não obstante tudo isso seja importante, e o homem busque, ambicione, esforce-se por obter, nisto não está a verdadeira prosperidade.
        Quando Paulo escreve aos Irmãos da cidade de Colossos, ele próprio está numa delicada situação. Ele está preso, possivelmente em Roma, em companhia de Timóteo, Aristarco, Marcos, Lucas e outros irmãos. Curiosamente ele escreve aos irmãos acerca de prosperidade, de riquezas, de tesouros...
     O que um missionário, fazedor de tendas de profissão, e agora feito prisioneiro, teria a falar sobre prosperidade? Talvez ele não fosse a pessoa ideal para falar desse tema!
    Num mundo de trevas espirituais, no qual o entendimento de muitos foi cegado, permitindo que a prosperidade material e cultural bloqueasse o acesso da mensagem da salvação ao coração do homem, Paulo podia se alegrar com os irmãos de Colossos, e repetir a eles o que dissera aos irmãos de Corinto:
   “A palavra da cruz é insensatez para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos é o poder de Deus. (I Co 1.18)
    A revelação desta verdade, a iluminação divina da palavra da cruz, o entendimento dos propósitos de Deus, isto é a verdadeira prosperidade.  Algo que vai muito além da sabedoria humana dos gregos, ou de quaisquer bens e riquezas materiais deste mundo.
    Quando Pedro testemunhou ser Jesus o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Jesus lhe disse: Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, pois não foi carne nem sangue que to revelou, mas meu Pai que está nos céus.(Mt 16.15-17)
    Jesus estava dizendo: Pedro você acabou de experimentar a verdadeira prosperidade.  Depois que este glorioso entendimento é alcançado nossa alma percebe que teve acesso a um grande tesouro. Indagado certa vez se queria deixar de seguir a Jesus, Pedro disse: Senhor para onde iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus (Jo 6.67-69).

    É um mistério oculto a tantos, mas a nós foi-nos revelado. Que bênção, que riqueza, além das glórias terrenas. Paulo resume poeticamente, no primeiro capítulo de sua carta aos irmãos de Colossos a mensagem de Deus revelada:  “Ele nos tirou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, isto é, o perdão dos pecados... Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra... Ele é o mistério que esteve oculto durante séculos e gerações, mas que agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus, entre os gentios, quis dar a conhecer as riquezas da glória deste mistério, a saber, Cristo em vós a esperança da glória...”
    Foi a nós que ele se deu a conhecer, se manifestou. Por isso mesmo estando em cadeias, Paulo podia falar de riquezas, de tesouros, de prosperidade...
“...para que o coração deles seja animado, estando vós unidos em amor e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus, Cristo, em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” 2.2-3
    Falar de prosperidade é falar de riquezas, as riquezas da glória,  a plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus, Cristo, isto é a verdadeira prosperidade!
    E esta prosperidade não desaparece, não se vai com as crises econômicas, ou com o mau humor de alguém. E para você que ainda não usufrui desta prosperidade, tenho-lhe um conselho: Torne-se um pobre de espírito... entenda-se carente das riquezas de Deus, necessitado da graça e misericórdia do Senhor. Os pobres de espírito são bem aventurados, pois deles é o reino dos céus.
    Para você que já goza da verdadeira prosperidade, o entendimento do mistério de Deus, Cristo, seja fiel e guarde o que tens para que ninguém tome a tua coroa!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ritual da virada: Qual o seu?

   
    Esta semana vi num programa de televisão um ator sendo entrevistado e indagado acerca da virada do ano. A entrevistadora perguntou: “Alguma superstição na virada do ano?” Pergunta já feita aos outros com obtenção de várias respostas do tipo “vestir branco, pular sete ondas...” A resposta do jovem ator foi: “Faço minhas orações.”
   Achei interessante a colocação da oração no âmbito da superstição.  Estaria de fato a oração integrando o universo da superstição?
    A palavra superstição vem do latim superstitio, é  utilizada desde o século XIII ou XIV, inicialmente na França, se espalhou por toda Europa.
    Nos diz o dicionário que a palavra significa:  "crença ou noção sem base na razão ou no conhecimento, que leva a criar falsas obrigações, a temer coisas inócuas, a depositar confiança em coisas absurdas, sem nenhuma relação racional entre os fatos e as supostas causas a eles associados". Ou seja, é acreditar em fatos ou relações sobrenaturais, mágicas, fantásticas ou extraordinárias e que também não encontram apoio nas religiões ou no pensamento religioso.
   Parece estranho que num mundo pós-moderno, dominado pela ciência e tecnologia, tanta superstição ainda esteja em voga.  Na verdade, muita gente tem abandonado a crença religiosa por conceituá-la não-científica, não racional, etc. Mas são estas mesmas pessoas que na virada do ano se apegam às superstições... vestem branco, pulam 7 ondas...
   A virada do ano é um momento emblemático. Está o ser humano cara a cara com o seu futuro. Um ano que se inicia, e não se sabe o que ele nos trará. Não há a garantia que se fomos pessoas saudáveis este ano, no próximo não adoeceremos. O futuro é uma incógnita. Não há cálculos que nos permitam garantir absolutamente nada no novo ano. É o Novo, o Desconhecido em toda a sua plenitude.
   Quem imaginaria na virada do ano de 2010 para 2011 que o ator Reinaldo Gianecchini e o Presidente Lula estivessem um ano depois num tratamento de quimioterapia lutando contra um câncer?
   E é neste momento de encontro com o Desconhecido que chega, que o homem pós moderno se curva à superstição. Muitos rituais supersticiosos tem origem nas religiões primitivas:    Pular as 7 ondas significa cortar obstáculos materiais e espirituais, sob a bênção de Iemanjá - divindade rainha das águas e mãe de todos os deuses africanos. Cada pulo deve ser acompanhado por um pedido. Para os mais “crentes”, oferendas de flores e outros mimos tendem agradar à Deusa e garantir sua simpatia. Muita gente repete superstições sem saber qual a idéia por trás das mesmas.
 


      
       O hábito de bater na madeira para afugentar o azar apareceu milhares de anos atrás entre os pagãos, que acreditavam que as árvores serviam de moradia dos deuses. Para chamar o poder das divindades, povos como os celtas batiam nos troncos, afugentando maus espíritos.
     No texto bíblico encontramos em At. 17.22, a palavra grega deisidaimonesterous, traduzida nas versões mais antigas como “supersticiosos”, e nas mais recentes como “muito religiosos”. Curiosamente a palavra pode ser usada de forma ambígua, tanto para significar confiança em crendices irracionais ou presságios (traduzindo-se como supersticiosos), quanto um apego exagerado a crença religiosa  (traduzindo-se como muito religiosos).
   Ao constatar essa ambigüidade preciso fazer algumas considerações:
   Como o ator entrevistado, na virada do ano faço minhas orações, mas minhas orações não podem ser classificadas como superstição. Porque são resultado de minha relação pessoal com Deus, de minha fé no Senhor Jesus, o Deus que irrompeu na História humana, padecendo sob Pôncio Pilatos. E meu culto é racional... Diante do Desconhecido que chega hoje à meia-noite, busco o meu Deus, que cuida de mim e me assegura não um ano sem surpresas ou dificuldades... mas que Ele estará comigo!!!
    Se Ele estará comigo, não preciso ter medo de gato preto, passar por baixo de escada, das sextas-feiras 13... também não é necessário vestir branco para me garantir paz, nem fazer oferendas à rainha do mar...
   Enfim, na chegada do Novo Ano manifesto a minha confiança inteiramente no Senhor... Estarei orando... se você quiser chamar isso de superstição... Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

2011, Última Semana... Nosso Ebenezer

    Faltam poucos dias para dizermos adeus ao ano de 2011. Depois da intensa correria do Natal, da troca de presentes, das confraternizações, celebrações, da disputa pelas compras nos shoppings lotados... esta semana instala-se certa calmaria para que dentro em breve recebamos um novo ano.
  Nas empresas o momento é de férias coletivas ou de levantamentos para inventários e balanços. Inventários para se saber o que se tem, o que foi quebrado, destruído, perdido, danificado, o que será necessário comprar novamente, para reposição. Balanço para se ter idéia do que se produziu, quanto, a que custo, e a que resultado se chegou: positivo ou negativo. A quantificação do resultado de todo o empenho, se foi atingido o alvo almejado, qual  palavra será  utilizada para descrever o período que se finda: lucro ou prejuízo?
  É tempo para um inventário pessoal, um balanço íntimo  para pensar no que foi perdido, danificado, adquirido... refletir sobre o que conseguimos produzir, construir, e a que custo. Analisar sobre as perdas que nos foram infligidas pelas dificuldades da vida, mas também sobre os ganhos que obtivemos, amizades que adquirimos, alegrias que tivemos... gargalhadas que soltamos.
    Pensar nos nossos relacionamentos, o quanto foram danificados, quanto se conseguiu refazer, restaurar... quanto se conseguiu aperfeiçoar. Definitivamente não estamos terminando o ano da mesma forma que o iniciamos. Estamos vendo o mundo, as pessoas e nós mesmos de outra forma. Você já pensou nisso? Olhamos no espelho e achamos que é a mesma pessoa, embora as marcas do tempo teimem em aparecer, na forma de rugas, de cabelos brancos, de espinhas, de barba... Mas mudamos ao longo do ano... Pouco ou muito, mudamos!
    Para além do brilho das luzes natalinas ou dos fogos de artifício do Ano Novo, precisamos inventariar o nosso relacionamento espiritual. A nossa vida com Deus: Quais experiências tivemos este ano? Em que estas experiências nos fizeram crescer no Senhor? Confiamos mais em Deus? Estamos descansando mais nele? Ou nossa ansiedade está nos dominando? O que tem mudado na nossa relação com Deus?
   As dificuldades tem se tornado obstáculos à nossa trajetória espiritual ou estamos confiando ainda mais no Senhor? Nosso balanço espiritual depende de nossa atitude de fé diante do Senhor. Se alguém seguiu o exemplo da mulher de Jó, que diante das circunstâncias adversas distanciou-se do Senhor, isto lhe trouxe a morte espiritual. Mas mesmo para quem percebe um balanço espiritual negativo, há uma promessa de restauração, no livro de Jó  14.7-9:
     “Pois para uma árvore há esperança; mesmo quando cortada, volta a brotar, e os seus brotos não deixam de existir. Ainda que a sua raiz apodreça na terra, e o seu tronco morra no pó, ela brotará ao cheiro das águas e lançará ramos como uma planta nova.”
  Para quem descobriu nos desafios e sofrimentos um Deus presente em sua vida, o ano foi de crescimento. Talvez você ainda possa estar enfrentando grandes dificuldades, mas dirá como Jó: “Eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra.” (19.25)
   Houve um momento na história de Israel em que Samuel fez um inventário e um grande balanço. Fora um período de grandes dificuldades. Olhando para trás Samuel pôde relembrar de acontecimentos terríveis, os quais ele vivenciara e acompanhara de perto. Podia elencar a morte do velho líder Eli, bem como dos seus filhos, Hofni e Finéias, no mesmo momento em que a arca da aliança caiu nas mãos dos filisteus. Fora um golpe tão duro que deu nome ao filho de Finéias, Icabode, que significa “Foi-se a Glória de Israel”. A arca da aliança, sinal visível da Glória de Deus levada de Israel parecia indicar o fim de tudo. Mas “há esperança, mesmo quando a árvore for cortada, ou a sua raiz apodreça no pó, ela brotará ao cheiro das águas”. E Samuel podia recordar o retorno da Arca, o arrependimento do povo, a sincera confissão coletiva, a rejeição e o abandono dos ídolos, um novo pacto de fidelidade com Deus, um grande clamor ao Senhor por livramento da mão dos inimigos filisteus... e a tremenda resposta do Deus dos Exércitos, trovejando desde os céus, propiciando a vitória dos israelitas. Qual o resultado deste grande balanço?
    Relembrando tudo isso, Samuel tomou uma pedra, para servir como marco, como registro, como memorial. Os acontecimentos daquele período mereciam um monumento. Mas o homenageado deste monumento não seria Samuel, nem o próprio povo de Israel. Às vezes atribuímos a nós as nossas conquistas, as vitórias, as superações, e queremos erguer memoriais a nós mesmos. Quem for a Roma, ainda verá de pé os Arcos construídos em homenagem aos imperadores romanos e suas vitórias. Ainda se mantem de pé no Forum Romano os Arcos de Tito, Diocleciano e Constantino. Em Paris, os franceses querendo fazer de sua cidade uma nova Roma, construíram um Arco de Triunfo para celebrar as vitórias de seu imperador, Napoleão Bonaparte. Porém,  aquela pedra que Samuel tomou, tinha um nome, aquele memorial celebrava todos os acontecimentos recentes, e chamava-se EBENEZER: Até aqui nos ajudou o Senhor (I Samuel 7.12). Literalmente a expressão hebraica Ebenezer significa “Pedra da Ajuda, do Socorro”. Depois o poeta ergueria sua Pedra do Socorro num poema que nós conhecemos como o Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.”
  Neste final de ano, eu e você somos desafiados a levantar um marco, um balanço de gratidão, um inventário de alegria, ainda que as lágrimas ainda fluam do rosto, erguendo com Samuel, em meio aos desafios, que vieram e que virão, com muita fé, uma Pedra da Ajuda, EBENEZER, até aqui nos ajudou o Senhor! Ele é a nossa ajuda, nosso socorro.
   Temos uma decisão a tomar neste final de ano. Chorar com amargura como a mulher de Jó, e nos afastarmos de Deus, ou erguermos nossa Pedra da Ajuda e reafirmarmos com fé, como Samuel: Até aqui nos ajudou o Senhor!