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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Feliz Natal!!! E o que é o Natal??
Na TV, a repórter anuncia: “O mundo se
enfeita para celebrar o Natal”. O
movimento no comércio é intenso e atinge o pico de vendas não superado por
nenhuma outra data comemorativa. Os ônibus e voos estão todos lotados, o vaivém
de gente é também o mais intenso do calendário.
Os abraços, presentes e celebrações se espalham dos casebres das favelas
das metrópoles às mansões requintadas dos condomínios fechados, só acessíveis
aos muito bem favorecidos... Todos com uma palavra nos lábios: Feliz Natal!
Os mais observadores perceberão
símbolos espalhados por todo lado: Papai
Noel, com sua barba branca e roupa vermelha distribuindo presentes, vindo direto
do Polo Norte... Pinheiros cobertos de neve, que reforçam o lugar de origem do
velhinho e tentam reproduzir um pouco da tundra do Ártico... são as árvores de
Natal! Estes ícones setentrionais, representantes de lugares gélidos serão
reproduzidos nos lugares mais quentes do planeta onde a neve faz parte dos
sonhos e da imaginação das pessoas, como os sertões do Nordeste do Brasil ou as
praias ensolaradas tropicais. Alguns poucos mais favorecidos, já experimentaram a neve seja no réveillon em
Nova York, seja numa estação de esqui nos Estados Unidos, na Europa, no Chile
ou na Argentina. Ressalte-se que o
exótico chama atenção, atrai, é bom de se ver e imaginar...
Os muito curiosos e criteriosos talvez
encontrem entre a floresta de árvores de
Natal e os enormes sacos de presentes de Papai Noel alguns presépios ou mesmo
uma grande estrela. Os presépios reproduzem uma cena modesta ocorrida num lugar
mais próximo aos trópicos: Um bebê numa caminha de palha, chamada tecnicamente
de manjedoura, rodeado por alguns seres humanos e animais de criação como
ovelhas e bois, que são engordados para se transformarem em alimento para seus donos...
o ambiente é oficialmente chamado de estrebaria. Vocábulos e uma cena muito rural, bem
estranha à comunidade urbana. A simplicidade da bucólica cena campestre não tem
nem de longe o magnetismo irresistível dos exóticos ícones lá das distantes
regiões próximas ao Círculo Polar Ártico.
As empresas há muito deixaram de decorar
seus ambientes corporativos com presépios. A cena rural do bebê na manjedoura
foi expurgada dos meios empresariais. Essa cena evoca lembranças religiosas.
Não é interessante a vinculação da celebração da festa natalina com motivos
religiosos. Por isso o Papai Noel e as árvores de Natal serão sempre os ícones
escolhidos.
O Natal, porém, não é um banquete só para
os olhos. É também para os ouvidos. Quem deixar-se levar pelo embalo das
canções natalinas ouvirá pela voz de Simone: Então é Natal, a festa Cristã. A constatação de Simone é inegável, o Natal é a festa cristã. E o cristianismo
não está no frio das neves distantes. O cristianismo está no relato bíblico do
nascimento de Jesus numa estrebaria, em Belém da Judéia, indicado na cena do
presépio. Está na natureza que se curva em adoração diante da Encarnação do Verbo
Divino. O Deus que se fez homem e habitou entre nós.
Natal é a confirmação de que Deus se
importa com o homem. Natal é o convite para que os homens se reconciliem entre
si, e com Deus, convite expresso nas palavras do coral de anjos que ainda ecoa
em pleno século XXI:
“Glória a Deus nas alturas, Paz na terra,
boa vontade para com os homens.”
Feliz Natal!!!
sábado, 22 de novembro de 2014
Uma mensagem para cristãos pós-modernos
Às
vezes ficamos atordoados com o cristianismo vivido no século XXI. Pensamos que
estamos vivenciando algo inédito, que são características dos tempos
pós-modernos. Nada me espanta mais.
Percebi que, pelo menos na história da
igreja cristã pode-se aplicar plenamente a máxima bíblica “Não há nada novo
debaixo do sol” (Ec 1.9).
Gostaria de convidá-lo a ler um trecho de
um livro, que achei absolutamente atual:
“ Quão poucos são os que amam a cruz de Jesus
Muitos encontram Jesus agora,
como apreciadores de seu reino celestial; mas poucos que queiram levar a sua
cruz. Tem muitos sequiosos de consolação, mas poucos da tribulação; muitos
companheiros à sua mesa, mas poucos de sua abstinência. Todos querem gozar com
ele, poucos sofrer por ele alguma coisa. Muitos seguem a Jesus até ao partir do
pão, poucos até beber o cálice da paixão. Muitos veneram seus milagres, mas
poucos abraçam a ignomínia da cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto não encontram
adversidades. Muitos O louvam e bendizem, enquanto recebem d'Ele algumas
consolações; se, porém, Jesus se oculta e por um pouco os deixa, caem logo em
queixumes e desânimo excessivo.
Aqueles, porém, que amam a
Jesus por Jesus mesmo e não por própria satisfação, tanto O louvam nas
tribulações e angústias, como na maior consolação. E posto que nunca lhes fosse
dada a consolação, sempre O louvariam e Lhe dariam graças.
Oh! Quanto pode o amor puro
de Jesus, sem mistura de interesse ou amor-próprio! Não são porventura
mercenários os que andam sempre em busca de consolações? Não se amam mais a si
do que a Cristo os que estão sempre cuidando de seus cômodos e interesses? Onde
se achará quem queira servir desinteressadamente a Deus?”
Onde está você neste jogo de afirmações?
Agora vem o mais interessante: Quem
escreveu este texto?
Thomas de Kempis, há mais de 500 anos!
Século XV... Norte da Europa.
A oeste, França e Inglaterra se
digladiavam numa guerra sem fim, que já ia para mais de 100 anos. Constantinopla encontrava-se sob constante
ameaça dos turcos. Na Boemia, a Universidade de Praga era sacudida pela
destemida pregação do Reitor Jan Huss, que em 1415 sucumbiu nas chamas da
fogueira, condenado por heresia. Durante
quase quarenta anos dois papas haviam disputado o trono de Pedro, um em Roma
outro em Avignon, na França. Tempos turbulentos aqueles...
Servir a Deus significava abraçar a vida
religiosa, era sinônimo de deixar a vida comum, e recolher-se no interior dos
muros de um mosteiro ou de uma abadia.
Nascido na pequena cidade de Kempen,
no extremo oeste da Alemanha, em 1379 ou 1380, o jovem Thomas foi aos 13 anos
estudar em Deventer, na Holanda. Como
era costume a cidade veio a se tornar
parte do seu nome, Thomas de Kempis. Naquela época um avivamento espiritual estava
em andamento nos Países Baixos. Uma nova devoção era pregada, um fervor
semelhante aos primitivos cristãos de Jerusalém e Antioquia era observado.
Aqueles que aderiam ao movimento eram chamados de “Irmãos e Irmãs Devotos”. Eles não faziam votos, mas viviam uma vida de
castidade, obediência e pobreza. Thomas aderiu ao movimento e trabalhou
incansavelmente pelo Reino de Deus. Ajudou a estabelecer uma casa para a
comunidade no Monte de Santa Ana, próximo a Zwolle. Depois tornou-se um dos
religiosos regulares.
Ele devotou sua vida à oração, ao estudo, copiar manuscritos, ensinar
noviços e ouvir a confissão das pessoas que o procuravam. Quando lhe davam uma
posição de autoridade na comunidade ele preferia a quietude de sua cela ao
desafio da administração. Um possível
retrato autêntico seu foi preservado com o que deve ter sido seu lema,
enquanto em vida: “Em todos os lugares tenho procurado descanso... não encontrei, exceto em pequenos recantos
com pequenos livros”.
Marcou definitivamente a
história com sua obra, hoje traduzida por todo o mundo, como um clássico
devocional “Imitação de Cristo”. O trecho 11 do livro Segundo, dessa obra, traz
a atualíssima mensagem que lemos acima.
Morreu em 1471... mas suas percepções ainda
continuam atual, no século XXI! A sede da comunidade foi destruída no período da Reforma, mas o espírito do avivamento ainda persiste hoje!
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Mistura Paulista: Encerramento e mistura de emoções
Às vezes eu me surpreendo como certas mudanças não afetam mais a vida
das pessoas. Ou pelo menos ninguém acha relevante a ponto de comentá-la.
Sexta-feira passada, dia 31 de Outubro, foi
o último dia de funcionamento do Restaurante Self-Service Mistura
Paulista, no Centro de Fortaleza. Assim
que soube do encerramento das atividades de uma casa que funcionou por 22 anos
fiquei triste, e fiz questão de lá almoçar os dois últimos dias, como uma
espécie de despedida... uma elaboração de luto.
Pensei em escrever algumas linhas que demonstrassem meu estado de
espírito. A correria cotidiana não me permitiu imediatamente fazê-lo. Porém,
agora, freado compulsoriamente por força de uma conjuntivite, não pude mais
adiar.
Talvez alguém tenha escrito algo, talvez
não. O Mistura Paulista, não era conhecido como um espaço de boêmios, de poetas, de literatos.
Era o lugar onde almoçavam trabalhadores, empregados, executivos, gente de
negócios. Muitos que normalmente não tem
tempo de refletir sobre o fechamento de um restaurante, e muito menos de
escrever sobre o significado disto para suas vidas. Ou talvez, seja isto mesmo
muito supérfluo, até quase imperceptível...
Acho que sou um ser um tanto estranho,
antigo, antiquado, dono de uma sensibilidade ultrapassada, que remonta a uma
poesia fora-de-moda. Por que o drama, se
era apenas um restaurante? Esta é a
questão. Pra mim, não era apenas um restaurante. Foi um espaço primordialmente de
encontro. Embora o simples fato de ser um restaurante, já indique sua
importância para o ser humano: um lugar
de restauração... por isso restaurante, dizem que esse vocábulo, oriundo do
francês, vem de “comida restauradora”.
Além de ser um lugar onde eu era restaurado
ao me alimentar com uma boa comida. Era um lugar de encontro, e que fazia me
sentir em casa. Encontro com os
funcionários da casa: O mestre churrasqueiro, que já sabia que eu não gostava
de carnes, mas apreciava um queijo coalho frito; a moça do caixa, que nem
precisava mais perguntar se o pagamento no cartão era no débito ou no crédito,
e a tia, a senhora que nos atendia no
primeiro andar, e que eu chamava de Tia.
Eu sou um fortalezense de apenas 9 anos.
Mas o Mistura Paulista foi um dos primeiros estabelecimentos gastronômicos ao qual eu fui apresentado na cidade. Meu
sogro me levou lá, quando eu ainda nem residia em Fortaleza. E vez por outra a
agenda dele permitia que almoçasse com um genro assoberbado de trabalho. Trabalhando na Praça do Carmo, minha
frequência no Mistura aumentou muito, bastava virar a esquina da Rua Major
Facundo e caminhar até a metade do segundo quarteirão.
Lembro do Mistura como um lugar
de celebração. Quando terminávamos alguns cursos no nosso Centro de Formação,
nossa querida GEPES Fortaleza, o Mistura Paulista era o destino de todo mundo da
turma no último dia do curso. Íamos celebrar juntos as novas amizades, bem como
os conhecimentos adquiridos.
Reservávamos um espaço no primeiro andar, e íamos nós comermos juntos.
Comer junto é algo sagrado, especial. Nem nos
damos conta disso. Não é à toa que o cristianismo celebra sua doutrina central,
a morte vicária de Jesus, com uma refeição coletiva. Em Emaús, o mestre
recém-ressuscitado é reconhecido no partir do pão. Hoje comemos com tanta
rapidez, e tão preocupados com o que vamos fazer depois, que não valorizamos
mais este momento único, mágico.
Ainda há outros para os quais o ato de
comer junto não faz sentido, porque a hora da refeição tornou-se o momento de
um balanço contábil, onde cada caloria é meticulosamente contabilizada. Então,
o sabor da comida é substituído pelo terror do “engordamento”.
Fico pensando nos amigos que precisavam
compartilhar alguma coisa, e meu horário de almoço era disponibilizado,
juntamente com um espaço no andar de cima do Mistura Paulista, onde éramos servidos com diligência pela Tia, que servia
os mais diversos tipos de sucos, para os paladares mais exigentes.
Na maioria das vezes eu ia sozinho mesmo. E
aí eu tinha um encontro comigo mesmo, e meus pensamentos. O lindo aquário próximo à churrasqueira
trazia-me uma sensação de paz, na selva de pedra da capital cearense. Vou lembrar sempre do aquário. Recentemente
um cardume de peixinhos nasceu, e puseram uma rede no meio do aquário,
separando os bebês dos adultos, acredito
que para evitar que os maiores devorassem os pequenininhos. Outro dia eu olhei
e vi que a rede já havia sido retirada, os menorzinhos já nadavam junto com os
grandes sem ter nada a temer...
Mas às vezes íamos ao Mistura também nos
domingos, principalmente quando nós ainda não tínhamos filhos adolescentes, e a
comida por quilo não era tão dispendiosa... Depois da Escola Dominical,
comíamos no Mistura e andávamos um pouco pela cidade deserta, caminhando até a
Praça do Ferreira, onde dizíamos às crianças: Aqui a mamãe e o papai trocaram
seu primeiro beijo de amor.
Sexta-feira, dia 31 de Outubro foi o
último dia. Conversei com a Tia, e ela falou que trabalhava lá desde quando o
restaurante foi aberto, há quase 22 anos. Já estava aposentada e ia passar um
tempo de”férias”. Vou sempre lembrar do
seu sorriso e presteza. Disse obrigado pela última vez à moça do caixa e fui
tomar meu último chocolate quente... Delícia de chocolate quente... vou sentir
falta... Mas as memórias não morrem. O Mistura Paulista da Major Facundo vai
sempre existir em nossas memórias!
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Isso é AMOR!!!
Sábado foi o casamento da Rafa e Marcelo. Um
momento para se confirmar nossa crença no amor romântico. Tudo muito lindo.
Cuidadosamente escolhido. O local, as músicas, a decoração (que lembrou o
vaivém Rio-Fortaleza), o horário (ao cair da tarde)... Familiares, amigos e
padrinhos todos engalanados.
Tudo cuidadosamente pensado para tocar nossas
emoções. Ainda bem que não uso maquiagem. Por isso pude chorar de emoção sem
qualquer constrangimento.
Rafaela conheceu
o Marcelo quando ele ainda servia na Marinha em Fortaleza. Em algum momento da
cerimônia ela falou desse momento mágico quando eles se perceberam pela
primeira vez. Uma pulseira caída no chão, uma gentileza ao apanhá-la, olhares
e... Amor.
Marcelo é carioca,
de uma animada família de gente risonha e hospitaleira. Rafaela foi lá para conhecer os sogros, cunhados e amigos do Marcelo. Eles um dia se
transformariam na sua família.
Uma boa parte das
poltronas de um avião foi destinada aos amigos e familiares de Marcelo que
vieram do Rio de Janeiro para a festa de
casamento em Fortaleza. Vieram para celebrar, para receber em alto estilo a
cearense que será acolhida no Rio.
Uma garotinha entrou com uma plaquinha: TIO,
SUA NOIVA VEM AÍ. Rafa entrou ao som de Paulo César Baruk (Isto é AMOR)
Eu gosto tanto de você e pra sempre eu quero ser teu eterno
namorado
Vamos juntos aprender, um ao outro compreender para andarmos
lado a lado
Eu quero te fazer feliz, eu quero você sempre aqui, meu
amor, isso é amor!
E quando a gente se olhar o mundo inteiro vai cantar é amor,
isso é amor!
Eu gosto tanto de você e pra sempre eu quero ser tua eterna
namorada
Vamos juntos aprender, um ao outro compreender para andarmos
de mãos dadas
Eu quero te fazer sorrir, eu quero você sempre aqui, meu
amor, isso é amor!
E quando a gente se olhar o mundo inteiro vai cantar é amor,
isso é amor!
Sem querer ser
meloso... Mas foi lindo, gente!
Depois vieram as
juras de amor. Foi aí que a Rafa contou
um pouco da história de amor deles. Aí foi a vez do Marcelo. Ele disse que não
era tão criativo quanto ela. Mas era capaz de fazer grandes surpresas. Então eu
me lembrei quando ele a pediu em
casamento. No desembarque do Aeroporto do Rio de Janeiro. Uma faixa enorme “Quer
casar comigo?”. E ele de joelhos a pediu em casamento.
Agora suas juras de
amor foram em forma de canção. Cantou e cantou o amor. Lindo demais.
Aí veio outra
surpresa especial. Quando o celebrante pediu para virem as alianças, a vovó da
Rafa veio trazendo-as. Numa sociedade
que enaltece somente a beleza do jovem e a promessa de futuro das crianças, uma
senhora conduziu as alianças. Bela, serena, meiga... como é a beleza dos
velhos. Muito lindo.
Comemos, rimos, celebramos... ao som de lindas músicas, que
respeitavam nossa vontade de confraternizarmos, conversarmos. Isto é, não
agrediam nossos ouvidos com uma barulheira infernal. Afinal, fomos a um casamento, e não
a uma apresentação de uma banda. Se quiséssemos assistir a um show, com certeza
casamento não seria o evento mais indicado. Estou lembrando da leveza com a qual
cantaram com uma harmonia de beleza mágica “AMAZING GRACE”...
Eles devem estar
neste momento em algum lugar do Chile, aproveitando sua lua de mel,
conhecendo-se no sentido bíblico. Não sabem o bem que fizeram aos seus
convidados ao lhes proporcionarem uma tarde tão inesquecível. Obrigado, queridos!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Hannah Arendt - Ela marcou minha história!
Quem consultou o Google hoje deparou-se
com um Doodle curioso: O desenho de uma senhora delicada empunhando com
segurança uma caneta na mão esquerda e folhas de papel na mão direita,
reclinada em sua mesa de trabalho, emoldurada por livros.
Quem por curiosidade clicou no Doodle soube que era uma homenagem aos
108 anos de nascimento de Hannah Arendt. Mas quem foi Hannah Arendt?
Generais foram retratados empunhando suas espadas, reis os seus
cetros... escritores e pensadores são lembrados também com seus instrumentos
que lhes conferiram poder e lhes imortalizaram. É o caso de Hannah Arendt.
Devo confessar que tenho um carinho especial por ela. Uma senhora de
olhar atento, de aguda perspicácia e de notável sensibilidade. Tenho algumas de
suas obras traduzidas no vernáculo e
disponíveis nas livrarias nacionais.
Não sei bem como foi nosso
primeiro encontro. Só sei que a conheci através de um dos seus escritos mais
famosos: Eichmann em Jerusalém, um relato
sobre a banalidade do mal. Vivia um momento especialmente delicado e a
leitura desse livro de Arendt potencializou minha indignação, minha revolta...
abriu meus olhos para situações do cotidiano... conscientizou-me de atitudes
monstruosas que Eu estava me tornando protagonista!
Todos deveriam ler esse relato de Arendt.
Afinal de que se trata?
Eichmann foi um alto funcionário da estrutura
nazista que atuava na logística da máquina da morte. Com a queda do Reich e a
derrota alemã fugiu para Argentina onde viveu até ser capturado em Buenos Aires,
em 11 de maio de 1960, e transportado para Israel onde foi levado a julgamento
em Jerusalém, em abril de 1961.
Hannah estava lá, fazendo a cobertura do
julgamento para a revista The New Yorker.
Das observações e reflexões acerca do julgamento veio à luz Eichmann em Jerusalém.
O acusado tinha dificuldade de entender
porque estava ali, afinal ele sempre fora um cidadão respeitador das leis, e
executou as ordens de seu superior hierárquico
(Hitler) o melhor que pôde. “Ao longo de todo o julgamento, Eichmann
tentou esclarecer, quase sempre sem nenhum sucesso que ele não era nenhum
sujeito imoral. Quanto a sua consciência, ele se lembrava perfeitamente de que
só ficava com a consciência pesada quando não fazia aquilo que lhe ordenavam –
embarcar milhões de homens, mulheres e crianças para morte, com grande
aplicação e meticuloso cuidado.”
Arendt
registra que “quanto mais se ouvia Eichmann, mais óbvio ficava que sua
incapacidade de falar estava intimamente relacionada com sua incapacidade de pensar, ou seja, de pensar do ponto de vista de
outra pessoa.”
A não ser por sua extraordinária aplicação
em obter progressos pessoais, ele não tinha nenhuma motivação... Ele
simplesmente nunca percebeu o que estava fazendo. Ele não era burro. Foi pura
IRREFLEXÃO – algo de maneira nenhuma idêntico à burrice – que o predispôs a se
tornar um dos grandes criminosos desta época.
A leitura deste livro me deixou
profundamente perturbado. Não estamos diante da “Solução Final”, mas estamos
diante de mega estruturas econômicas e religiosas que às vezes nos engajam em
suas engrenagens e nos convidam a não pensar, a apenas agir. Podemos nos tornar monstros, seres malignos,
travestidos de bons funcionários, excelentes executivos, empregados premiados...
como Eichmann.
Arendt me resgatou do
pragmatismo utilitário do sistema em que estou inserido, e me deu uma sacudida
para que eu voltasse a vida... Aí me lembro de outro livro dela: A Condição Humana. Ela nos convida à reflexão,
e ressalta que a irreflexão, pensada como a imprudência temerária ou a
irremediável confusão ou a repetição complacente de verdades que se tornaram triviais
e vazias, parece ser uma das principais características do nosso tempo. Ela nos
propõe apenas refletirmos sobre o que
estamos fazendo.
Apenas... isso muda tudo! Grande Hannah! Homenagem muito bem merecida!
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Já que estamos falando de crianças...
... Os ateus de
plantão afirmam que a fé é um sentimento infantil. Os afetos religiosos denotam
dependência, um filho dependente de um pai, precisa ser guiado, conduzido.
Talvez seja por isso que Jesus disse que precisávamos nos fazer como crianças
para herdar o reino dos céus (Mc 10.15). Eles estão certos [os ateus]. Eu sou
um exemplo disso, afinal sou um homem feito, mas ainda sou dependente...
dependo de Deus, do seu amor, do seu carinho, de sua proteção.
Quem deixou de ser
criança, e já é dono de seu nariz, rejeita a orientação paterna, não quer que ninguém lhe diga o que fazer. O Pai para ele morreu. Coitado. Está órfão. Ficou adulto.
Não sou Peter Pan, mas espiritualmente vou
continuar criança. Criança que ainda ora quando acorda, quando come, quando vai
dormir... que pede ao Pai que seja o meu guia
na tomada de decisões. Criança que num púlpito não fala as suas próprias
palavras, mas as palavras que o Pai manda! Ainda bem que eu continuo tendo Pai.
Queria dizer pra
vocês que é muito bom ter Pai.
Crianças gostam de
carrinho, de aviãozinho, de barquinho... Quem não brincou de barquinho de
papel? Hoje eu ia pro trabalho e pensando... Quando era garotinho eu aprendi
lindas músicas de barquinho. A minha preferida não era cantada por um
menininho. Era um senhor com cara de vovô: Feliciano Amaral.
Era um poema com
uma ou outra palavra difícil, mas era tão belo, tão puro, que um garotinho de 2
ou 3 anos escutou tanto que passou a cantar também, falando as palavras do seu
jeito. Ainda hoje não sei bem o que significa FANAL:
Noite azul, céu sereno
Num barco pequeno,
Vou deslizando no mar
E a brancura da lua,
Nas águas flutua,
Numa beleza sem par.
De longe parece ouvir-se uma prece,
No vento, nas ondas, na espuma quem em véu
Emoldura o caminho que passa o barquinho,
Seguindo as estrelas que o guiam do céu
Mas em dado momento, transforma-se o vento
Cessa da lua o clarão
E o mar tão bravio é um desafio
Ao barco sem direção
Com voz de lamento, do meu pensamento
Orei ao meu mestre, com fé sem igual
E voltou a bonança, vitória se alcança
Olhando pra Cristo, o eterno fanal.
Da brincadeira com barquinho a ser o
próprio barquinho na metáfora do poeta, foi um caminho natural. Me vi na canção
como o barquinho que às vezes navega num mar tranquilo, às vezes tudo se
transforma e vira uma confusão. Mas o que fazem os filhos quando temerosos?
Gritam, Papai, papai. Naquela época eu
nem sonhava que um dia eu também teria filhos, e que para eles eu seria uma
referência de abrigo e proteção.
Coisa de criança “com voz de lamento orei ao meu mestre, com fé sem igual...” Fiz
isso no carro hoje de manhã. Dirão os ateus com razão: Criança, não cresceu.
Verdade.
Ainda criança, outro poeta fez questão de
consolidar em minha mente e coração a metáfora do Ezion/Barquinho. Também
trazia expressões ainda hoje incompreensíveis, imagina naquela época para um
garotinho. Esse era jovem e bonitão: Ozeias de Paula, com a sua Canção do
Nauta:
Que ternura, são calma as ondas do mar...
Meu barquinho, desliza sutil sob o nume solar.
Tal qual aventureiro que
vaga no mar aquém
O meu barquinho
deslizando vai pois descanso e dulçor
Há no porto além.
Se algum dia feroz temporal açoitar
Prontamente eu sei que Jesus há de vir me amparar.
Entre as ondas levanto os meus olhos pra o céu
E suplico vem cristo Jesus pilotar meu batel.
Dizem
que homens não choram, mas meninos choram... estou chorando. Choro sempre.
Chorando porque no meu barquinho está meu Pai, a me conduzir, guiar e amparar...
Feliz Dia das Crianças!
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